domingo, 5 de outubro de 2014

AGORA O CAMINHO DA CANDIDATA DO PT FICOU MAIS ESTREITO NA DISPUTA A PRESIDÊNCIA DO BRASIL

Aécio arranca e deixa 2º turno sem favoritoVotação do tucano, muito maior do que os institutos de pesquisa apontavam, sinaliza que o país deverá ter o segundo turno mais acirrado da história

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A presidente Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição e o candidato à Presidência da República pelo PSDB, Aécio Neves
A presidente Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição e o candidato à Presidência da República pelo PSDB, Aécio Neves - Edison Vara/Sergio Moraes/Reuters
Numa eleição marcada por uma reviravolta por semana, o candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, termina o primeiro turno com uma votação surpreendente. A partir desta segunda-feira, o tucano segue na disputa contra a presidente-candidata Dilma Rousseff (PT) numa eleição sem favoritos. Com mais de 90% das urnas apuradas, a petista tem 41% dos votos válidos e o tucano, 34%. Marina Silva tem 21%.

O resultado confirmou o enfraquecimento da candidatura de Marina Silva (PSB), que entrou na campanha como um furacão, mas sai dela com capital eleitoral similar ao que amealhou em 2010, quando marcou 19% nas urnas, ou quase 20 milhões de votos.
Ainda assim, o apoio da ex-senadora no segundo turno deve ser um fator decisivo no desfecho da disputa. Alvo da máquina de propaganda petista, que trabalhou à exaustão para desconstruir sua imagem, Marina é cortejada pelo PSDB. Já neste domingo, tucanos iniciaram conversas com dirigentes de sua campanha. Mas há obstáculos para que uma aliança se consolide. Marina pode se ver tentada a repetir a estratégia de 2010, quando se manteve neutra no segundo turno — e assim preservar seu discurso contra a “velha política”, tendo em vista a formação de seu partido, a Rede Sustentabilidade, que já reúne todos os requisitos formais para ser registrado.
Do lado do PSB, uma ala ligada ao PT, capitaneada pelo presidente interino da sigla, Roberto Amaral, pode também tentar barrar um acordo entre as duas candidaturas de oposição. Os tucanos, entretanto, apostam na memória da boa relação que Aécio tinha com o ex-governador Eduardo Campos, morto numa tragédia área em agosto. A viúva de Campos, Renata, deve ser uma interlocutora importante para que haja uma amarração. Há também alinhamento entre tucanos e pessebistas em Estados como São Paulo e Paraná.
Outros fatores podem influenciar na disputa: o apoio dos governadores eleitos, que disponibilizarão palanques vitoriosos na corrida local; a reação do mercado financeiro e a artilharia da máquina da propaganda petista – a repetição do terrorismo eleitoral que deu certo contra Marina espalhando boatos, por exemplo, sobre o fim do Bolsa Família se o PT perder a eleição.
O segundo turno ocorrerá no próximo dia 26 – até lá, Dilma e Aécio terão doze programas eleitorais na televisão com duração idêntica de dez minutos cada.
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sábado, 4 de outubro de 2014

VAMOS VER O QUE ACONTECE, MAS TUDO DEPENDE DE DOMINGO

Aécio e Marina entram na Justiça contra Dilma por causa dos Correios

E mais notícias eleitorais desta sexta-feira (03)

BRUNO CALIXTO E MARINA RIBEIRO
03/10/2014 20h20 - Atualizado em 03/10/2014 20h40
Aécio Neves (PSDB) e Marina Silva (PSB) antes do debate na Globo (Foto: Antonio Lacerda/EFE)
1. Aécio e Marina contra os Correios
As campanhas de Aécio Neves (PSDB) e Marina Silva (PSB) entraram com representações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a campanha de Dilma Rousseff (PT). Eles acusam o PT de uso da máquina pública para fazer campanha. O caso envolve os Correios. Segundo a campanha do PSDB, a estatal deixou de entregar material de campanha para prejudicar Aécio. A ação também pede que a Justiça apure uma série de denúncias de irregularidades, que vão desde propaganda eleitoral na CUT até o caso de uma eleitora que recebeu a doação de uma prótese dentária para gravar um programa do PT. Já a campanha de Marina Silva entrou na Justiça após a publicação de um vídeo onde o deputado estadual Durval Ângelo (PT-MG) diz que Dilma só vai bem na campanha porque "tem dedo forte dos petistas nos Correios". Se condenada em alguma das ações, Dilma pode ser multada ou até perder o registro da candidatura.
2. Dilma desqualifica denúncias de corrupção nos Correios
Dilma Rousseff (PT) participou de carreata em São José dos Campos, nesta sexta-feira (3). Ao conversar com jornalistas, ela desqualificou as denúncias de aparelhamento nos Correios. "É interessante. Sempre que alguém corre o risco de perder a eleição, quer atribuir ao outro uma responsabilidade que é sua. Mas sempre no que se refere ao aparelhamento, é bom dizer que no Brasil houve redução do quadro público", disse Dilma, segundo O Globo. E aproveitou para criticar o PSDB. "Além disso, é importante dizer que, entre os funcionários públicos, só 23% são por livre nomeação. Não acredito que isso ocorra nas gestões do PSDB".
3. “As preparadas... UH UH UH UHUH”

Dilma disse estar preparada para o segundo turno, independentemente de quem a enfrentar na segunda etapa. A candidata à reeleição afirmou que não está contando com a vitória neste domingo. “Nós estamos contando com o segundo turno. Nós vamos daqui para frente lutar para apresentar nossas propostas de educação saúde, moradia, Minha Casa, Minha Vida. Estamos preparados para enfrentar o primeiro e segundo turno. Não tenho preferência [de candidato]", afirmou de acordo com o G1.
4. 13º para o Bolsa Família
Marina Silva continua criticando seus adversários por não apresentar plano de governo. Só que no último debate entre candidatos a presidente, na TV Globo, ela apresentou uma proposta que não estava em seu progaram e nunca havia sido mencionada durante a campanha. Marina prometeu criar o benefício do 13º salário para beneficiários do Bolsa Família. O jornal O Globoconversou com Walter Feldman, coordenador de campanha de Marina, sobre a proposta. Feldman disse que a ideia era de Eduardo Campos, morto em acidente de avião em agosto. E estimou o custo da proposta em R$ 1 bilhão. "Já havia um estudo com Eduardo. Marina completou o estudo. É uma proposta justa, corresponde ao que todos os trabalhadores tem", disse Feldman. A reportagem também perguntou para Rui Falcão, coordenador do PT, sobre o que ele pensa a respeito do benefício. A resposta foi curta. "Precisa ver se cabe no orçamento".
5. Debate animado

O último debate entre os presidenciáveis antes das eleições foi, sem dúvidas, o mais animado até agora, como mostrou a análise de ÉPOCA.  O escândalo na Petrobras foi o centro das discussões, enquanto Marina Silva e Aécio Neves, que disputam palmo a palmo o voto antipetista. As trocas de farpas, réplicas de tréplicas renderam vários memes, é claro.
 
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A influência televisiva do debate. De passa ou repassa a Friends, de Casos de Família a Teste de Fidelidade (Foto: Reprodução/Twitter)
6. Qual é o número mesmo?
A eleição já é no domingo (5). Enquanto 5% ainda estão indecisos, segundo o último Datafolha, outros tantos já escolheram, mas não têm ideia de qual o número que precisarão digitar na urna na hora H. Segundo a Folha, 34% dos eleitores não sabia o número de seu candidato à Presidência da República. Os “nanicos”- como são chamados os candidatos com 1% ou menos de intenções de voto – são os que mais sofrem do problema, mas Marina Silva (PSB) também corre o risco de perder votos por números errados. 45% das pessoas que declararam votar nela não sabem seu número (e os outros 5% erraram). Por isso, ela e a candidata Luciana Genro (PSOL) - de quem 46% eleitores erram o número – exibiam grandes broches com o número do partido durante o debate da Rede Globo. É ver se na urna os eleitores não errarão o voto por causa do número. Para ajudar, aqui está a lista dos candidatos à presidência e seus respectivos números:

- Dilma Rousseff (PT): 13
- Marina Silva (PSB): 40
- Aécio Neves (PSDB): 45
- Pastor Everaldo (PSC): 20
- Luciana Genro (PSOL): 50
- Eduardo Jorge (PV): 43
- Zé Maria (PSTU): 16
- Rui Costa Pimenta (PCO): 29
- Eymael (PSDC): 27
- Levy Fidelix (PRTB): 28
- Mauro Iasi (PCB): 21
Época 

NO SEGUNDO TURNO TUDO INDICA A UNIÃO DE AÉCIO PSDB COM MARINA PSB CONTRA O PT DE DILMA

De olho no 2º turno, Aécio ataca PT e poupa Marina /Candidato do PSDB está empatado tecnicamente com rival do PSB/

Laryssa Borges, de Belo Horizonte
Aécio Neves, candidato à Presidência pelo PSDB, faz campanha em Belo Horizonte, MG - 03/10/2014
Aécio Neves, candidato à Presidência pelo PSDB, faz campanha em Belo Horizonte, MG - 03/10/2014 (Igo Estrela/Divulgação)
Depois da troca de farpas no último debate antes do primeiro turno, o candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, decidiu poupar nesta sexta-feira a rival do PSB, Marina Silva, uma possível aliada do tucano caso ele chegue ao segundo turno. A nova postura de Aécio se ajusta à defesa que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tem feito de que PSDB e PSB unam forças para derrotar a presidente-candidata Dilma Rousseff.
Cumprindo agenda intensa de atos políticos em Belo Horizonte, Aécio evitou falar de possíveis alianças para um eventual segundo turno – ele está tecnicamente empatado com Marina Silva na segunda colocação da corrida presidencial, conforme pesquisa Datafolha – e não comentou se os ataques ao longo do primeiro turno podem inviabilizar uma parceria futura. “Eu tenho que ter enorme respeito por todas as candidaturas e tenho esse respeito em especial pela candidata Marina Silva, que disputa de forma extremamente competitiva a possibilidade democrática de estar no segundo turno", disse. "Só falarei de segundo turno no momento em que o resultado for anunciado.”
Ao visitar quatro favelas na cidade de Belo Horizonte, incluindo a violenta Pedreira Prado Lopes, ponto de venda de crack na capital mineira, Aécio voltou a atacar a presidente Dilma Rousseff, criticou o excesso de obras inacabadas coordenadas pelo governo federal e defendeu que exemplos de má gestão e corrupção, como os escândalos na Petrobras e, mais recentemente, a denúncia de uso político dos Correios, não sejam reproduzidos em Minas, onde o petista Fernando Pimentel é favorito para derrotar, já no primeiro turno, o tucano Pimenta da Veiga.
“Não vamos permitir que em Minas Gerais esse modus operandi alcance as nossas empresas porque vai estar alcançando os interesses da nossa gente. Não queremos que a Cemig vire uma nova Petrobras e que a Copasa vire os novos Correios, com escândalos sucessivos”, disse. Aécio tem citado exaustivamente a gestão da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) e da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) como exemplos de empresa pública. As duas, porém, são citadas pelo Ministério Público Federal, na denúncia sobre o escândalo do valerioduto mineiro, por repasses suspeitos durante o governo do tucano Eduardo Azeredo (PSDB).
“O governo do PT tem como marca obras com sobrepreço e sempre com atrasos, o que gera descrença e desânimo na população. A eleição de Pimenta da Veiga é tão importante em Minas quanto a minha própria eleição. Não podemos permitir em Minas Gerais esse tipo de gestão que o governo do PT estabeleceu na Petrobras, onde uma quadrilha tomou conta da nossa maior empresa, e essa gestão temerária que se instalou nos nossos principais fundos de pensão”, disse antes de visitar a favela Pedreira Prado Lopes. “Não podemos permitir que [empresas mineiras] sejam tomadas por um grupo político, que demonstrou em outras gestões no plano nacional, como na Petrobras e agora nos Correios, o absoluto descompromisso com os cidadãos”, afirmou.
Correios – Depois de definir como estratégia prioritária explorar as acusações de uso político dos Correios por candidatos do PT, Aécio Neves disse que a empresa pública também teria boicotado correspondência da Força Sindical para aposentados. A entidade foi presidida pelo deputado Paulo Pereira da Silva, presidente do partido Solidariedade e aliado de Aécio. O candidato não deu detalhes do caso, mas cobrou que a presidente Dilma explique por que não consta de sua declaração ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) as despesas de contratação dos Correios para a distribuição de material de campanha. “Acabo de ter a informação do presidente licenciado da Força Sindical, presidente do Solidariedade, de que as cartas enviadas pela Força, em especial aos aposentados em Minas Gerais, não chegaram a seus destinatários. Isso é algo extremamente grave”, afirmou. De acordo com o candidato, os Correios receberam o pagamento no dia 29 de agosto, mas na prestação parcial de contas apresentada ao TSE no dia 2 de setembro não consta a despesa.
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SEMPRE FOI ASSIM CONQUISTA OS MENOS FAVORECIDOS COM CESTA BÁSICA E GANHA AS ELEIÇÕES

Eleições serão definidas pelo 'ignorante racional'Segundo o cientista político Marcus André Melo, professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e doutor pelo MIT, eleitor médio brasileiro olha primeiramente para sua renda e emprego antes de tomar a decisão de voto. Situação econômica e política do país fica em segundo plano.


Dr. Marcus André Melo, professor da Universidade Federal de Pernambuco
Dr. Marcus André Melo, professor da Universidade Federal de Pernambuco (Divulgação)
Juros, inflação, dívida pública, balança comercial: os principais indicadores pioraram em 2014, mas muitos eleitores parecem alheios à deterioração do cenário econômico. A explicação, segundo o cientista político Marcus André Melo, professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e doutor pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), é que as eleições são definidas, em grande parte, pelo chamado “ignorante racional”. “É um eleitor para quem a palavra macroeconomia não faz o menor sentido”, explica. “Ele faz um cálculo racional de sua situação salarial e profissional. E, dentro de suas limitações, seu voto é coerente”, afirma.
Segundo Melo, a deterioração econômica só afeta as intenções de voto quando o desemprego aumenta. Isso ocorre, segundo o cientista político, porque falta ao eleitor a noção do chamado 'cálculo intertemporal'. Como o eleitorado médio não conhece profundamente como funcionam as políticas públicas, tampouco pode julgar sua sustentabilidade através do tempo. "A única forma de adquirir essa consciência de tempo é por meio da educação. Essa também é a única maneira de permitir que os eleitores confrontem as informações passadas pelos candidatos na propaganda eleitoral", afirma. Confira trechos da entrevista.
Quase três décadas após a volta da democracia, o senhor acha que o eleitor brasileiro está mais maduro?
Sim, ele está mais racional. Mas a situação ficou mais complexa para a tomada de decisão. Antes, o eixo era entre democracia e autoritarismo. Era muito fácil se posicionar e tudo ficava simplificado por essa divisória. Hoje, o eleitor leva em conta a qualidade de vida e dos serviços que são oferecidos pelos governos. Ele tem mais consciência tributária e isso faz com que coloque mais informações na balança. Tanto amadureceu que inseriu novos temas na agenda pública, como o casamento homoafetivo e o aborto. Ele também está mais sensível a temas como a corrupção, por exemplo.
O governo Dilma foi alvo de muitos escândalos de corrupção, mas ela segue na dianteira das pesquisas. Como se explica?
As variáveis para os efeitos da corrupção no voto são muitas. Em 2006, quando houve o mensalão, houve queda de 11% no número de deputados que conseguiram se reeleger. As estatísticas mostram que houve impacto forte das notícias sobre corrupção. Mas, para que um escândalo de corrupção tenha o poder reverter o quadro, é preciso um choque informacional maciço. É preciso um tsunami de cobertura, como ocorreu com o julgamento do mensalão, por exemplo. Também é preciso o timing certo. Pois se o tsunami acontece muito antes do pleito, as informações se trivializam. A memória do eleitor é curta.
O escândalo da Petrobras acontece às vésperas da eleição. Mas também não tem sido o suficiente para mudar o cenário eleitoral. 
A Petrobras tem, sim, o potencial de mudar o quadro. Segundo a investigação da Polícia Federal, houve desvio de 10 bilhões de reais. É o segundo maior escândalo corporativo da historia, perdendo apenas para uma estatal chinesa. É maior que os escândalos da Enron e da Siemens. Quando as informações da delação vierem a público em sua totalidade, há um potencial de tsunami.
Os indicadores econômicos pioram mês a mês e apontam que o Brasil pode, em breve, sucumbir a uma recessão. O eleitor se importa com isso na hora de votar?
Há uma parcela ínfima da população que associa piora de indicadores econômicos a uma crise. O restante do eleitorado é formado por indivíduos para quem a palavra macroeconomia não faz o menor sentido. Na hora do voto, o eleitor médio faz um cálculo racional de sua situação salarial e profissional. Ele pesa a qualidade de vida, dos serviços e seu sentimento em relação ao governo, e faz a conta. Dentro de suas limitações, seu voto é coerente. É o que chamamos de ‘ignorante racional’, na literatura. Para entender esse eleitor, é preciso fazer uma distinção entre a gestão macroeconômica e o comportamento real da economia. Os indicadores econômicos são todos muito negativos. O superávit primário desapareceu. Mas quem observa isso são analistas ou leitores muito qualificados. O eleitor médio se insere na dinâmica do voto econômico a partir do próprio bolso. Nesse quesito, a inflação subiu, mas não está galopante. O mercado de trabalho não é mais o mesmo, mas ainda o desemprego é muito baixo. A visão crítica desse eleitor em relação ao governo está muito mais na parte de serviços públicos, como educação e saúde, do que em informações sobre a economia. E, por meio dos programas de transferência de renda, é inegável que a vida de muita gente melhorou.
Mas, no caso da classe média, a avaliação é outra. Por isso foi às ruas em 2013.
O perfil dos manifestantes é muito heterogêneo. Mas há, sim, grande participação dessa classe média que saiu do SUS e da escola pública e foi para as escolas privadas e para os planos de saúde. O problema é que muitos perceberam que o setor público é ruim porque falta investimento. E o privado também é ruim porque falta regulação. E, como tomaram consciência tributária, se deram conta que estão pagando duas vezes por serviços de má qualidade. Essa parcela da população está muito insatisfeita com os governos vigentes e quer mudança. As pesquisas apontam que 60% dos eleitores não votarão na presidente Dilma no primeiro turno. Mas não se pode ignorar que há muitos brasileiros que viviam em condições de extrema pobreza e passaram a ter o mínimo para sobreviver. Talvez, para essa parcela da população, a escola e a saúde não estejam tão ruins.
Como esse eleitor pode ampliar sua avaliação sobre um governo?
A educação é a única forma, porque ela melhora o debate público. O ‘ignorante racional’ não faz o cálculo intertemporal das coisas. Ele não sabe como as políticas funcionam e qual é a sustentabilidade econômica de determinados programas. A única forma de adquirir essa consciência é por meio da educação. Essa também é a única maneira de permitir que os eleitores confrontem as informações passadas pelos candidatos na propaganda eleitoral. Nos Estados Unidos, o marketing político é muito forte, mas o debate de ideias tem peso maior. Conservadores e liberais defendem suas posições de forma contundente, há uma agenda propositiva. Aqui, não.
As manifestações de junho mostraram que a população quer mudança. Mas não é isso que as pesquisas de intenção de voto apontam em governos estaduais e federal. O que aconteceu?
As mudanças não são imediatas. Muitas coisas aconteceram desde então. A lei da Ficha Limpa foi aprovada em tempo recorde, houve uma mobilização geral. Os governos não conseguiram dar uma resposta adequada às reivindicações, mas tentaram. A mudança não é veloz e não se dá de forma robusta, mas o sinal é muito positivo. Mostra que o eleitorado está se manifestando e tomando consciência de seu dever numa democracia.
Houve avanço na democracia brasileira?
Certamente. Por mais que haja problemas, o país funciona melhor. As instituições de controle, como a Polícia Federal e a imprensa, têm resistido às tentativas de enfraquecimento por parte de outros poderes. O Judiciário está mais sólido. A democracia está melhor do que há dez anos. É verdade que a economia está pior. Mas, por outro lado, a prisão dos mensaleiros foi fundamental para a maturidade da democracia. O cidadão passa a acreditar mais no futuro do país ao ver as instituições funcionando.
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sexta-feira, 3 de outubro de 2014

NUNCA ACABA VEM MAIS SUJEIRA DE CORRUPÇÃO AI POLÍTICOS QUE DEVEM DE ORELHA EM PE

Revelações vão “chocar o país”, diz Youssef

Doleiro quer entregar os documentos que guardou em um lugar seguro por mais de uma década e que seriam as provas definitivas contra os corruptos e corruptores que atuavam na Petrobras

Robson Bonin
O BANQUEIRO - Preso, Youssef quer revelar o caminho do dinheiro em troca da redução da pena. Na lista do doleiro, João Vaccari, o secretário de Finanças do PT, é um dos mais encrencados
O BANQUEIRO - Preso, Youssef quer revelar o caminho do dinheiro em troca da redução da pena. Na lista do doleiro, João Vaccari, o secretário de Finanças do PT, é um dos mais encrencados      (VEJA)
Durante muito tempo, o doleiro Alberto Youssef e o engenheiro Paulo Roberto Costa formaram uma dupla de sucesso nos subterrâneos do governo. Enquanto Paulo Roberto usava suas poderosas ligações com os altos escalões do poder e o cargo na diretoria de Abastecimento da Petrobras para desviar milhões dos cofres da estatal, Youssef encarregava-se de gerenciar a bilionária máquina de arrecadação que era usada para abastecer uma trinca de partidos e corromper políticos importantes. Paulo Roberto era o articulador, o cérebro da organização. Youssef, o caixa, o banco. Um apontava os caminhos para assaltar a estatal. O outro era o encarregado dos malabarismos contábeis para fazer o dinheiro chegar aos destinatários da maneira mais segura possível, sem deixar rastros. Em março deste ano, quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Lava-Jato, que tinha o objetivo de desarticular um esquema de lavagem de dinheiro, a dupla caiu na rede. O que ninguém imaginava — nem mesmo os policiais — é que, a partir das informações dadas pelos dois criminosos, uma monumental engrenagem de corrupção, talvez a maior de todos os tempos, começaria a ruir.
VEJA revelou que Paulo Roberto Costa, o primeiro a assinar o acordo de delação com a Justiça, entregou às autoridades o nome de mais de trinta políticos envolvidos no esquema de corrupção na Petrobras, entre eles três governadores, seis senadores, um ministro de Estado e pelo menos 25 deputados federais, além de Antonio Palocci, o coordenador da campanha presidencial de Dilma Rousseff em 2010, que pediu 2 milhões de reais ao esquema. O ex-diretor forneceu o nome dos corruptos que se locupletavam do dinheiro desviado e das empreiteiras que contribuíam com a arrecadação da propina — um golpe já considerado letal na estrutura da organização criminosa. Se as revelações do ex-diretor — muitas ainda desconhecidas — já provocaram um cataclismo, o que está por vir promete um efeito ainda mais devastador. Alberto Youssef, o caixa, decidiu seguir o parceiro e contar o que sabe. E, nas palavras do próprio doleiro, o que ele sabe “vai chocar o país”.
Além de confirmar que o dinheiro desviado da Petrobras era usado para sustentar três dos principais partidos da base aliada — PT, PMDB e PP —, Youssef se colocou à disposição para fechar o elo da cadeia de corrupção, fornecendo as contas no exterior, as datas de remessa e os valores repassados a políticos e autoridades que ele tinha como clientes. Youssef disse às autoridades que, durante o tempo em que operou o banco da quadrilha, por quase uma década, tomou o cuidado de esconder em um local seguro documentos que mostram a origem e o destino das cifras bilionárias que movimentou. É o que ele garante ser a verdadeira contabilidade do crime — um inventário que está escondido em um cofre ainda longe do alcance das autoridades brasileiras. O acervo é tão completo que incluiria até os bilhetes das viagens que demonstrariam o que os investigadores já apelidaram de “money delivery”, o dinheiro entregue em domicílio.
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quinta-feira, 2 de outubro de 2014

ULTIMO DEBATE AGORA E RETA FANAL DOMINGO UM DOS TRÉS SERA O PRESIDENTE DO BRASIL

Novas pesquisas e caso Correios devem apimentar debate desta 5ª

Presidenciáveis terão último encontro antes das eleições: Dilma, Marina e Aécio não têm agendas públicas e passarão o dia se preparando para o embate

Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PSB) e Aécio Neves (PSDB)
Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PSB) e Aécio Neves (PSDB) (Ivan Pacheco e Felipe Cotrim/VEJA.com)
Os candidatos à Presidência da República terão, na noite desta quinta-feira, o último encontro antes das eleições de domingo: Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PSB) e Aécio Neves (PSDB) participam de debate promovido pela Rede Globo – e sob o impacto das pesquisas de intenção de voto que devem ser divulgadas horas antes. Nenhum dos três terá agenda pública ao longo do dia: dedicarão a quinta-feira aos treinos para o embate. A presidente-candidata já passou a quarta-feira basicamente reclusa, concedendo apenas uma coletiva de imprensa no Palácio do Alvorada no final da tarde. O debate começa depois da novela Império.
O encontro se dará em meio a mais uma denúncia envolvendo o governo Dilma: o de uso político dos Correios na campanha. Após a divulgação de um vídeo em que um deputado petista afirma que a presidente-candidata só chegou aos 40% de intenções de voto porque há “dedo forte dos petistas” na estatal, o PSDB afirmou que a estatal boicotou deliberadamente o envio de malotes de campanha de Aécio como forma de favorecer a presidente-candidata na corrida presidencial. Aécio e o candidato tucano ao governo de Minas Gerais, Pimenta da Veiga, começaram a reunir provas para pedir a cassação dos registros de candidatura da petista.
Marina também se pronunciou sobre o caso na quarta-feira, em ato político em São Paulo. Segundo ela, essa prática mostra o "aparelhamento do Estado" feito por candidatos que querem se reeleger "a qualquer custo, não importando o meio". "A reeleição é uma chaga, que inaugurou o mensalão no Congresso Nacional. Reeleição cria uma situação de aparelhamento, de confusão entre o partido e o Estado. Esse tipo de prática deve ser condenada pela Justiça Eleitoral", disse a candidata. Já Dilma negou qualquer uso dos Correios em sua campanha e classificou as notícias como “um absurdo”.
Em queda nas pesquisas de intenção de voto, Marina pretende adotar um tom mais voltado à discussão de programas de governo no último debate. "Não existe desejo de ataque frontal", disse o coordenador adjunto da campanha, deputado Walter Feldman, em entrevista à Agência Estado. Segundo o coordenador, Marina não quer entrar num "debate duro" e pretende passar a imagem de única alternativa entre os candidatos capaz de promover mudanças. "A reação não pode ser no nível que os adversários desejam", defendeu Feldman. Cansada da agenda pesada dos últimos dias, a ex-senadora pretende descansar e recuperar a voz. No último debate, promovido pela Rede Record, a presidenciável estava visivelmente cansada – e acabou por ficar “apagada” nas discussões.
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Segio Lima Artesanato

 
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